Novos Designers: criando pontes para o futuro da moda brasileira
Foto: Divulgação
Quando o assunto é o futuro da moda brasileira, é justamente essa visão que aparece como parte do legado que Ana pretende deixar. “O legado que eu gostaria de deixar com o Novos Designers é justamente ter contribuído para que uma geração de criadores tivesse não apenas o espaço para mostrar seu trabalho, mas também condições de construir um negócio duradouro”, explica a empresária.
Na edição deste ano, alguns dos designers selecionados já são nomes que começam a ganhar espaço no cenário da moda atual. Galavote, Fauve, Caroline Perino, Fenda Jewellery e Raquel de Carvalho transitam por diferentes linguagens — da alfaiataria contemporânea ao trabalho artesanal, da joalheria à moda sem gênero, da técnica tradicional à experimentação —, mas compartilham o potencial de apontar diferentes caminhos para o futuro da moda brasileira.
A nova temporada acompanha esses criadores de perto, revelando não apenas suas criações, mas também os processos por trás de cada marca. Ao longo do projeto, os designers compartilham suas referências, escolhas, desafios e perspectivas, mostrando as diferentes etapas envolvidas na construção de uma marca de moda.
E se o objetivo é olhar para a moda brasileira em sua totalidade, a iniciativa também amplia seu alcance para além do eixo Rio-São Paulo. Desde o início, o Novos Designers mantém uma seleção aberta para criadores de todo o país. “Desde o início, o Novos Designers tem uma premissa clara: a seleção é aberta para todo o Brasil”, afirma Ana.
O resultado é um projeto que, ao longo de oito anos, busca não apenas revelar novos talentos, mas criar caminhos para que eles encontrem espaço no mercado e possam construir suas próprias histórias dentro da moda nacional.
Confira a entrevista exclusiva de Ana Isabel de Carvalho Pinto para a BAZAAR
HARPER’S BAZAAR BRASIL: Qual foi o principal motivo para a criação do projeto Novos Designers? O que vocês identificaram naquele momento como uma necessidade do mercado?
Ana Isabel de Carvalho Pinto: A ideia nasceu de uma percepção muito concreta: o Brasil sempre teve talento criativo, mas faltava uma ponte mais estruturada entre o talento e o mercado. Havia designers com uma linguagem muito própria, mas que muitas vezes não tinham acesso a conhecimento, visibilidade, distribuição e às pessoas certas para transformar criatividade em negócio.
O Novos Designers foi criado justamente para aproximar essas duas pontas. Para muito além de descobrir novas marcas, a proposta sempre foi criar uma plataforma de desenvolvimento, dando aos designers ferramentas, repertório, visibilidade e acesso ao mercado para que pudessem construir marcas consistentes e sustentáveis.
HBB: Como você observa o antes e o depois dos estilistas que participam do projeto? Que transformações você percebe na trajetória desses profissionais?
AICP: A transformação mais importante, para mim, foi a mudança na própria definição de inovação. Hoje, inovação na moda não está necessariamente em criar algo completamente novo, mas em repensar processos, materiais, modelos de negócio e a relação entre criatividade e tecnologia.
Também vejo uma nova geração muito mais conectada à sustentabilidade, circularidade, tecnologia, novos materiais e novas formas de distribuição. A fronteira entre moda, arte, tecnologia, entretenimento e conteúdo ficou muito mais fluida.
E existe uma transformação importante no consumidor também: ele não compra apenas um produto, mas uma visão de mundo, uma história e uma comunidade. Isso abre espaço para marcas brasileiras construírem relevância internacional a partir de uma identidade genuinamente local.
HBB: A moda nacional está em constante desenvolvimento e inovação. Quais foram as inovações ou transformações mais relevantes que você observou nos últimos anos e que tiveram impacto na indústria?
AICP: Eu sou muito otimista em relação ao futuro da moda brasileira. Temos uma combinação que poucos mercados possuem: uma enorme diversidade cultural, uma riqueza de matérias-primas, criatividade, capacidade de adaptação e uma identidade que pode ser extremamente contemporânea sem deixar de ser brasileira.
Acredito que o próximo passo é transformar essa potência criativa em indústria: marcas mais estruturadas, negócios mais escaláveis, tecnologia, profissionalização e capacidade de competir globalmente.
O legado que eu gostaria de deixar com o Novos Designers é justamente ter contribuído para que uma geração de criadores tivesse não apenas espaço para mostrar seu trabalho, mas também condições para construir negócios duradouros. Que o projeto seja lembrado especialmente pelas trajetórias que ajudou a transformar.
HBB: O que você acredita para o futuro da moda brasileira? E qual legado gostaria de deixar por meio do Novos Designers?
AICP: O que mais me chama atenção é perceber que, muitas vezes, a transformação não está apenas na estética ou no produto, mas na forma como o designer passa a enxergar o próprio negócio.
Ao longo dos anos, vimos profissionais que chegaram com uma linguagem criativa muito potente, mas ainda sem clareza sobre posicionamento, construção de marca, produto, distribuição e modelo de negócio. O projeto ajuda a ampliar esse olhar e a criar conexões que podem transformar trajetórias.
Um exemplo que me emociona particularmente é o da Normando: ele foi um dos talentos revelados pelo Novos Designers, posteriormente ganhou o Brasil Fashion Awards e agora retornará ao projeto como mentor.
Esse movimento de troca é talvez um dos maiores indicadores de sucesso do projeto. Quando o designer deixa de ser apenas um talento promissor e passa a construir uma trajetória, conquistar reconhecimento e, depois, voltar para compartilhar conhecimento com novos criadores, percebemos que estamos realmente criando legado.
HBB: Em um país tão grande e diverso como o Brasil, a moda ainda está muito concentrada no eixo Rio-São Paulo. Como trazer talentos de outras regiões do país e incentivar uma moda brasileira que também seja reconhecida por sua qualidade, tecnologia e inovação?
AICP: Desde o início, o Novos Designers tem uma premissa muito clara: a seleção é aberta para todo o Brasil, por inscrição em formulário digital, garantindo que a participação seja possível a todos os brasileiros.
Não acreditamos que talento tenha CEP e, por isso, buscamos ampliar o olhar para além do eixo Rio-São Paulo.
Temos exemplos concretos de que essa estratégia funciona. O próprio Normando, que passou pelo Novos Designers e posteriormente ganhou o Brasil Fashion Awards, é de Belém do Pará. A Marina Bitu, que também participou do projeto, é do Ceará. São trajetórias que mostram a potência criativa que existe em diferentes regiões do país.
O desafio é fazer com que esses talentos tenham acesso às mesmas oportunidades de desenvolvimento, visibilidade, mercado, mentoria e conexões que existem nos grandes centros. E a tecnologia hoje é uma grande aliada nesse processo, porque permite que um designer esteja em qualquer lugar do Brasil e, ainda assim, construa audiência, venda, conecte-se com marcas, investidores e mercados internacionais.
Dentro do projeto, falamos muito sobre “ampliar o eixo” para muito além de apenas trazer os talentos para o eixo.
Reconhecer a força e a identidade de cada território e criar pontes para que essa diversidade chegue ao mercado. É essa pluralidade que pode fazer com que a moda brasileira seja reconhecida internacionalmente não apenas pela criatividade, mas também pela qualidade, inovação e capacidade de construir negócios relevantes.
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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de harpersbazaar.uol.com.br.